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Cavaco homenageia forma artística que resistiu “às modas e ao tempo"

Miguel Manso

Depois da distinção da UNESCO, o Presidente da República organizou uma homenagem ao fado

O Presidente da República considerou esta sexta-feira o fado como a forma de expressão artística que melhor define a alma dos portugueses, sublinhando a sua característica de resistir “às modas e ao tempo”.

“O fado é talvez a mais significativa forma de expressão artística em Portugal, aquela que mais nos identifica internacionalmente e aquela que melhor define a alma do nosso povo”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, durante uma cerimónia de homenagem ao fado e aos seus protagonistas, que se realizou esta tarde no Palácio de Belém.

Numa homenagem realizada menos de uma semana depois de ter sido conhecida a decisão da UNESCO de integrar o fado na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, Cavaco Silva começou por lembrar os tempos em que o fado não era ainda “reconhecido e estimado” pelos portugueses. 

“Tempos houve em que o fado era apenas associado a uma vida boémia que continha em si retratos de uma Lisboa pouco recomendável”, recordou. 

Contudo, prosseguiu, “a pouco e pouco”, o fado regenerou a sua imagem, acabando por se transformar “num cartão-de-visita” de Portugal, com “poetas ilustres” a compor muitas das letras de maior êxito. 

Destacando o nome das mais significativas vozes do fado de sempre, como Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva ou Fernando Farinha, o Presidente da República evocou ainda a “grande Amália Rodrigues”, “que escolheu os melhores músicos, os melhores compositores e os melhores poetas de Portugal para os cantar com a sua voz e a sua interpretação únicas, marcando para sempre o fado”. 

“Foi ela que espalhou o fado pelo mundo fora”, frisou. 

Assim, ao longo de décadas, acrescentou, o fado “resistiu às modas e ao tempo”, assistindo-se ao surgimento de outros nomes, como Maria da Fé, Carlos do Carmo ou João Braga. 

Já nas décadas de 70 e 80, o público acabou por se afastar um pouco do fado “por razões mais ou menos ideológicas”. 

“Felizmente, os tempos de hoje são bem diferentes. Há uma nova geração de fadistas que trouxe um fôlego e uma vitalidade ao Fado como imagino que nunca se tenha visto”, notou Cavaco Silva, considerando que esta “nova geração, onde se incluem nomes como Kátia Guerreiro, Carminho, Camané ou Ana Moura, “foi essencial para o reconhecimento do fado como Património da Humanidade”. 

Destacando ainda o papel dos músicos e poetas, o chefe de Estado elogiou a “selecção nacional do fado”, agradecendo a forma como ao longo das suas vidas e das suas carreiras contribuíram para tornar o fado numa “melodia universal”. 

Antes de Cavaco Silva, o presidente da câmara municipal de Lisboa, António Costa tinha também deixado palavras de congratulação pelo reconhecimento do fado como Património Imaterial da Humanidade, considerando que com esta distinção “as potencialidades económicas do fado reforçam-se muito”. 

Além disso, acrescentou, “lembra-nos sobretudo que a crise não se vence apenas com a economia, vence-se também com a cultura, criatividade e alma”.
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